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Submit   Blogueira, Bipolar com crises de sinceridade, uma metamorfose ambulante!

twitter.com/elislourenco:

     
Nossa, há quanto tempo… 
Como vão as coisas no seu pequeno planeta? 
Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos.
Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa.
Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista.
Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente s conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante.
Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo – eu estava loira na época – e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim.
Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.
Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante. 
Percebeu o tom de chantagem? Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro. Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.
A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro.
Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu? Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. 
Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.
A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado.
Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire.
Saudades distantes,
(Fernanda Young)

    Nossa, há quanto tempo…

    Como vão as coisas no seu pequeno planeta?

    Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos.

    Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa.

    Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista.

    Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente s conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante.

    Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo – eu estava loira na época – e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim.

    Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.

    Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante. 

    Percebeu o tom de chantagem? Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro. Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.

    A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro.

    Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu? Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas.

    Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.

    A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado.

    Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire.

    Saudades distantes,

    (Fernanda Young)

    — 2 years ago
    porramauricio:

PORRA, MAURICIO!!! PORRA, ESSA MODA CHEGOU ATÉ NA ROÇA!
OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ QUÉ?!
(Imagem via @wesleyzinhow)

    porramauricio:

    PORRA, MAURICIO!!! PORRA, ESSA MODA CHEGOU ATÉ NA ROÇA!

    OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ OCÊ QUÉ?!

    (Imagem via @wesleyzinhow)

    (via grafhael)

    — 2 years ago with 13479 notes
    
Bom, você não foi. E não ligou. 

A mim, só restou lamentar a sua falta  de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque  realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para  não me magoar ou justamente o inverso disso?
Estou confusa, claro. Achava que você iria.
Tanto  que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando  desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a  meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante,  juro, achei que você chegaria a qualquer momento. Pedindo perdão pelo  terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está  acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi.
Esperei  outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras  explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente  resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua  parte, numa loucura específica da minha.
Se você tivesse ligado  do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria  levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.
Foram  muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de  fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um  obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por  muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que  eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você  não ligou.
Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem  sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser  sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu  sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.
Não  me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um  dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
Estaria,  entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói  uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e  não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos  especiais, não guardam?
Então, eis a minha única curiosidade:  você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no  coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

(Fernanda Young)

    Bom, você não foi. E não ligou.

    A mim, só restou lamentar a sua falta de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para não me magoar ou justamente o inverso disso?

    Estou confusa, claro. Achava que você iria.

    Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento. Pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi.

    Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua parte, numa loucura específica da minha.

    Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.

    Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.

    Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou.

    Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.

    Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.

    Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam?

    Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

    (Fernanda Young)

    — 3 years ago
    
Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.
(Fernanda Young)

    Fiquei triste.
    Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.
    Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein?
    Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.
    Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu.
    Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos.
    Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.

    Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.

    Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento.
    Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.
    Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe.
    E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida.

    Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro?
    Será inteligente apostar tanto de novo?
    Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido.
    E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.

    Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

    Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos.
    Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta.
    Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula.
    Neste amor e, por isso, em todo o resto.
    Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem.
    E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.
    Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus.
    Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti.
    E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável.
    Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.


    (Fernanda Young)

    — 3 years ago
    Aos que enxergam…

    Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.

    Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.

    Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.

    Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?

    Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.

    Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.

    Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.

    Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro
    lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz…”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz…”*

    Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você. Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.

    (Fernanda Young)

    — 3 years ago
    
Eu devo reconhecer que ninguém me conhece. Não realmente.  Os que mais sabem não sabem da metade. Não deixo todos os segredos  escaparem de mim, não mesmo. Uma delicadeza com os outros, eu diria,  pois não quero assustar as pessoas com meu passado. Em especial aquelas  que continuaram gostando de mim após o pouco que souberam. Mesmo porque  aquela, que fez aquilo, nao está mais aqui. Eu sou literalmente outra.

(Fernanda Young)

    Eu devo reconhecer que ninguém me conhece. Não realmente. Os que mais sabem não sabem da metade. Não deixo todos os segredos escaparem de mim, não mesmo. Uma delicadeza com os outros, eu diria, pois não quero assustar as pessoas com meu passado. Em especial aquelas que continuaram gostando de mim após o pouco que souberam. Mesmo porque aquela, que fez aquilo, nao está mais aqui. Eu sou literalmente outra.

    (Fernanda Young)

    — 3 years ago
    
… E, mesmo assim, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.’

 (Fernanda Young)

    … E, mesmo assim, estarei sempre pronta para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.’

    (Fernanda Young)

    — 3 years ago
    Com vC me sinto em paz…

    Não sei explicar o que sinto quando estou com você, é uma mistura de prazer, paz, euforia, coisas de adolescente…

    Mas eu quero isso e muito mais, quero viver tudo o que o destino preparou, quero sentir todos os sentimentos que meu coração permitir…

    É uma paz como se nada de ruim pudesse tirar isso de mim.

    Eu só quero vC…

    ————————————————————————————————————

    — 3 years ago
    
    “Para quem me odeia    Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.    É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.    Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.    Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.    Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.    Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.    Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.    E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.    Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que “negativo” significa o melhor resultado possível.    Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.    Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.    Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.    Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.    E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:    Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.    Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.    Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.    Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.    Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.    Com amor, da sua eterna.” 
(Fernanda Young)

        “Para quem me odeia

        Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
        É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
        Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
        Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
        Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
        Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
        Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
        E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
        Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que “negativo” significa o melhor resultado possível.
        Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
        Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
        Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
        Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
        E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
        Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
        Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
        Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
        Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
        Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

        Com amor, da sua eterna.”

    (Fernanda Young)

    — 3 years ago
    
Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga.

Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação. 
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou. 
Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, pra ser sincera. 
No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.  
 Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá. Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. 
Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? 
As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam? 
Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esquecei de ir?” 

(Fernanda Young)

    Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga.

    Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.

    Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou.

    Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, pra ser sincera.

    No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.  

    Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá. Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade.

    Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é?

    As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam?

    Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esquecei de ir?”


    (Fernanda Young)

    — 3 years ago